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15 abril 2013

Terço do Sagrado Coração de Jesus



No crucifixo:
Vinde, ó Deus, em meu auxílio. 
Socorrei-me sem demora. 
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo,
assim como era no princípio, agora e sempre e pelos séculos dos séculos,
Amém".

Na conta maior: (medalha do Sagrado Coração na foto acima)
1- Meu amorossíssimo Jesus, quando medito no vosso clementíssimo Coração e o vejo todo cheio de piedade e doçura para com os pecadores, a minha alma se inunda de alegria e sinto-me cheio de doce confiança de ser por Vós benignamente recebido. 
Ah! Quantos pecados tenho eu cometido!
Mas agora, qual outro Pedro e qual outra Madalena penitente, os choro e detesto porque são ofensas feitas a vós, ó meu sumo Bem.
Concedei-me o perdão de todos os pecados.
Antes morrer, eu vo-lo peço pelo vosso Santíssimo Coração, antes morrer do que tornar a ofender-vos.
Fazei que eu não viva senão para vos amar.
Um Pai-Nosso 

Nas 5 contas menores:
Um Glória ao Pai em cada uma.

Invocação:
Doce Coração de meu Jesus,
Fazei que eu vos ame cada vez mais.

Na conta maior:
Meu Jesus, eu bendigo o vosso humílimo Coração e vos dou graças porque, dando-mo por modelo, não só me convidais, pelo modo mais forte, a imitá-lo, mas ainda por tanta humilhações vossas me mostrais e aplanais o caminho desta imitação. 
Oh! Quanto fui insensato e ingrato! Quanto me desviei do bom caminho!
Perdoai-me! Não! Nada mais quero de soberba e ambição;
Quero seguir-vos com coração humilde, através das humilhações, para alcançar assim a paz e a salvação.
Dai-me, ó Jesus, ânimo para isto e bendirei eternamente o vosso Coração.
Um Pai-Nosso.

Nas 5 contas menores:
Um Glória ao Pai em cada conta.

Invocação:
Doce Coração de meu Jesus,
Fazei que eu vos ame cada vez mais.

Na conta maior:
Meu Jesus, admiro o vosso pacientíssimo Coração e vos dou graças por tantos exemplos maravilhosos de invicta paciência que nos deixastes.
Pesa-me de que em vão me repreendam da minha tão grande delicadeza, que não sabe sofrer nada.
Meu amável Jesus, infundi em meu coração um ardente e constante amor às tribulações, à cruz, às mortificações e a penitência, a fim de que, seguindo-vos ao Calvário, chegue convosco à glória e a felicidade do Paraíso.
Um Pai-Nosso.

Nas 5 contas menores:
Um Glória ao Pai em cada conta.

Invocação:
Doce Coração de meu Jesus,
Fazei que eu vos ame cada vez mais.

Na conta maior:
Meu amado Jesus, considerando o vosso amantíssimo Coração, eu me horrorizo ao ver o meu tão diverso do vosso. Quantas vezes, infelizmente, um nada, um gesto, a menor sombra de contradição me irritam e me fazem romper em queixas. Ah! Perdoai-me estes arrebatamentos e daí-me a graça de imitar para o futuro, em qualquer contrariedade, vossa inalterável mansidão e brandura, e assim gozar sempre a vossa santa paz.
Um Pai-Nosso.

Nas contas menores:
Um Glória ao Pai em cada conta.

Invocação:
Doce Coração de meu Jesus,
Fazei que eu vos ame cada vez mais.

Na conta maior:
Oh! Jesus, entoem-se com razão cânticos de louvor ao vosso generosíssimo Coração, que triunfou da morte e do inferno, merecendo, na verdade, toda a glória.Quanto a mim porém, estou mais que nunca humilhado ao ver meu coração tão pusilânime que estremece a qualquer zombaria e respeito humano.
Mas não será mais assim. Daí-me fortaleza e ânimo para que, depois de ter combatido e vencido na terra tenha a felicidade de triunfar convosco no céu.
Um Pai-Nosso.

Nas contas menores:
Um Glória ao Pai em cada conta.

Invocação:
Doce Coração de meu Jesus,
Fazei que eu vos ame cada vez mais.


Voltemo-nos para Maria Santíssima: 
Consagremos também a ela e, cheios de confiança na bondade de seu maternal Coração, lhe digamos:

Oh! Maria, augusta Mãe de Deus e também minha Mãe, pelas altas prerrogativas de vosso dulcíssimo Coração, alcançai-me uma verdadeira e constante devoção ao Santíssimo Coração de Jesus, vosso Filho, para que, encerrando-me nele com todos os meus pensamentos e afetos, cumpra fielmente todos os meus deveres e, com alegria de coração sirva a Jesus para sempre, mais especialmente neste dia.Amém.

Coração de Jesus, abrasado de amor por nós,
inflamai o nosso coração de amor por vós.

Oração:
Nós vos pedimos, Senhor, que o Espírito Santo nos inflame o coração com aquele fogo que nosso Senhor tirou do Santuário de seu Coração para espalhar sobre a terra e de cujas chamas se deseja ver tudo abrasado.
Que convosco vive e reina em união com o mesmo Espírito Santo Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém

Fonte: The Raccolta - Edição Oficial de 1957 em Inglês - página 170. (S.C. Ind., March 20, 1815; S.P. Ap., March 10, 1933)


*Este foi o terço que o Papa Pio VII, autorizou em documento oficial de 20 de Março de 1815 para a concessão de 7 anos de indulgência e combater heresia.
** As indulgências que estavam associadas ao recitar o terço do Sagrado Coração de Jesus não estão mais em vigor mas nunca é demais rezar!




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31 março 2013

Domingo de Páscoa


 




148. No Domingo de Páscoa, máxima solenidade do Ano Litúrgico, também são realizadas diversas manifestações de piedade popular: todas elas são expressões cultuais que exaltam a condição nova e a glória de Cristo ressuscitado, assim como a força divina que jorra da sua vitória sobre o pecado e sobre a morte.

O encontro do Ressuscitado com a Mãe

149. A piedade popular intuiu que a associação do Filho à Mãe é constante: na hora da dor e na hora da Morte, na hora da alegria e da Ressurreição.

A afirmação litúrgica, segundo a qual Deus encheu de alegria a Virgem por ocasião da Ressurreição do Filho, foi, por assim dizer, traduzida e quase representada pela piedade popular na prática de piedade do Encontro da Mâe com o Filho ressuscitado: na manhã de Páscoa, dois cortejos, um carregando a imagem de Nossa Senhora das Dores, o outro a de Cristo ressuscitado, se encontram, significando que a Virgem foi a primeira e plena participante do mistério da Ressurreição do Filho.

Quanto à essa prática de piedade vale a observação feita para a procissão do "Cristo morto": a sua realização não deve assumir aspectos de relevância maior do que as próprias celebrações litúrgicas do domingo de Páscoa, nem ceder lugar a misturas inapropriadas.


A bênção da refeição familiar

150. Um sentido de novidade percorre toda a Liturgia pascal: nova é a natureza, pois no hemisfério norte a Páscoa coincide com o despertar da primavera; novos são o fogo e a água; novos os corações dos cristãos, renovados pelo sacramento da penitência e, como é desejável, pelos próprios sacramentos da iniciação cristã; nova, por assim dizer, é a Eucaristia: são sinais e realidade--sinal da nova condição de vida inaugurada por Cristo mediante sua Ressurreição.

Entre as práticas de piedade que se ligam ao evento da Páscoa estão a tradicional bênção dos ovos, símbolo da vida, e a bênção da refeição familiar; esta última, que em muitas famílias cristãs é um costume diário e que deve ser estimulado, adquire particular significado no dia de Páscoa: com a água benta na Vigília Pascal, que os fiéis têm o louvável costume de levar para casa, o chefe da família ou um outro membro da comunidade doméstica abençoa a refeição festiva.


A saudação Pascal à Mãe do Ressuscitado

151. Em alguns lugares, no encerramento da Vigília Pascal ou depois das Segundas Vésperas do Domingo de Páscoa, realiza-se uma breve prática de piedade: benzem-se flores, que serão distribuídas aos fiéis em sinal de alegria pascal, e se presta homenagem à imagem de Nossa Senhora das Dores, que às vezes é coroada, enquanto se canta o Regina caeli. Os fiéis, que se haviam associado à dor da Virgem na Paixão do Filho, querem agora se alegrar com ela pelo evento da Ressurreição.

Essa prática de piedade, que não deve ser misturada com a ação litúrgica, está de acordo com os conteúdos do Mistério Pascal e constitui mais uma prova de como a piedade popular percebe a associação da Mãe à obra salvífica do Filho.
 
 
Fonte:Diretório em Piedade Popular  - Vaticano
 
 
 
 
 
 
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13 fevereiro 2013

Piedade Popular durante a Quaresma

 
 
 
 
 
A veneração do Cristo crucificado

127. O caminho quaresmal termina com o início do Tríduo Pascal, isto é, com a celebração da Missa In Cena Domini. No Tríduo pascal a Sexta-feira Santa, dedicada a celebrar a Paixão do Senhor, é o dia por excelência da "Adoração da santa Cruz".

Contudo, a piedade popular gosta de antecipar a veneração cultual da Cruz. De fato, durante todo o período da Quaresma, na sexta-feira que, por antiquíssima tradição cristã, é o dia em que se comemora a Paixão de Cristo, os fiéis orientam espontaneamente a sua piedade para o mistério da Cruz.

Contemplando o Salvador crucificado, eles entendem mais facilmente o significado da dor imensa e injusta que Jesus, o Santo e o Inocente, sofreu pela salvação do homem, e compreendem também o valor do seu amor solidário e a eficácia do seu sacrifício redentor.

128. As expressões de devoção a Cristo crucificado, muitas e variadas, adquirem especial relevo nas igrejas dedicadas ao mistério da Cruz ou nas quais são veneradas relíquias consideradas autênticas do lignum Crucis. De fato, a "descoberta da Cruz", que segundo a tradição se deu na primeira metade do século IV, com a subsequente difusão no mundo todo de veneradíssimas partículas, determinou um notável incremento do culto à Cruz.

Nas manifestações de devoção a Cristo crucificado, os elementos comuns da piedade popular como cânticos e orações, gestos como a exposição, o beijo, a procissão e a bênção com a cruz, entrelaçam-se de modo variado, dando lugar a práticas de piedade, às vezes preciosas por seu valor conteudístico e formal.
 
Entretanto, a piedade para com a Cruz tem muitas vezes necessidade de ser iluminada. Isto é, deve-se mostrar aos fiéis a essencial referência da Cruz ao evento da Ressurreição: a Cruz e o túmulo vazio, a Morte e a Ressurreição de Cristo são inseparáveis na narrativa evangélica e no projeto salvífico de Deus. Na fé cristã, a Cruz é expressão do triunfo sobre o poder das trevas e, por isso, é apresentada enriquecida com pedras preciosas e se tornou sinal de bênção seja quando é traçada sobre si próprio ou sobre outras pessoas e objetos.

129. O texto evangélico, singularmente detalhado na narrativa dos vários episódios da Paixão, e a tendência à especificação e à diferenciação própria da piedade popular fizeram com que os fiéis voltassem sua atenção também para aspectos particulares da Paixão de Cristo e, em seguida, fizessem deles objeto de devoções particulares: ao Ecce Homo, Cristo zombado, "com a coroa de espinhos e o manto de púrpura" (Jo 19, 5), que Pilatos mostra ao povo; às sagradas chagas do Senhor, sobretudo a ferida do lado e o sangue vivificador que daí jorrou (cf. Jo 19, 34); aos instrumentos da Paixão, tais como a coluna da flagelação, a escada do pretório, a coroa de espinhos, os cravos, a lança que o traspassou; ao santo sudário ou lençol da deposição.

Essas expressões de piedade, promovidas em algunas casos por pessoas eminentes em santidade, são legítimas. Entretanto, para evitar um fracionamento excessivo na contemplação do mistério da Cruz, é conveniente que se acentue o conjunto todo da Paixão, segundo a tradição bíblica e patrística.

A leitura da Paixão do Senhor

130. A Igreja exorta os fiéis à leitura frequente, individual e comunitária, da Palavra de Deus. Ora, não há dúvida de que entre as páginas bíblicas a narrativa da Paixão do Senhor tem um especial valor pastoral e, por isso, por exemplo, o Ritual da unção dos enfermos e sua assistência pastoral sugere que se leia, na hora da agonia do cristão, a narrativa da Paixão do Senhor, por inteiro ou algumas perícopes dela.
No tempo da Quaresma, o amor para com Cristo crucificado deverá levar as comunidades cristãs a preferir, sobretudo na quarta e na sexta-feira, a leitura da Paixão do Senhor.

Essa leitura, de grande significado doutrinal, chama a atenção dos fiéis seja por causa do conteúdo, seja por causa da forma narrativa, e provoca neles sentimentos de genuína piedade: arrependimento das culpas cometidas, pois os fiéis percebem que a Morte de Cristo aconteceu para a remissão dos pecados de todo o gênero humano e, portanto, também dos próprios; compaixão e solidariedade para com o Inocente injustamente perseguido; gratidão pelo amor infinito que Jesus demonstrou na sua Paixão para com todos os homens; empenho em seguir os exemplos de mansidão, paciência, misericórdia, perdão das ofensas, abandono confiante nas mãos do Pai, que Jesus deu com grande abundância e eficácia na sua Paixão.

Fora da celebração litúrgica, a leitura da Paixão poderá ser oportunamente "encenada", confiando aos vários leitores os textos correspondentes aos diferentes personagens; como também poderá ser intercalada por cânticos e momentos de silêncio meditativo.
 
 
Fonte: Cozinha e Biblioteca - se ainda não conhece este blog não deixe de fazer uma visita!
 
 
 
 
 
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20 setembro 2012

Jesus Cristo é enfim o que invisível preside e dirige os concílios da Igreja - Papa Pio XII {Parte 2}

 
 
CARTA ENCÍCLICA
MYSTICI CORPORIS

DO SUMO PONTÍFICE
PAPA PIO XII



O CORPO MÍSTICO DE JESUS CRISTO
E NOSSA UNIÃO NELE COM CRISTO
 
 
 
69. E porque este corpo social de Cristo, como acima dissemos, por vontade do seu Fundador deve ser visível, é força que aquela conspiração de todos os membros se manifeste também externamente, pela profissão da mesma fé, pela recepção dos mesmos sacramentos, pela participação ao mesmo sacrifício, pela observância prática das mesmas leis. E ainda absolutamente necessário que haja um chefe supremo visível a todos, que coordene e dirija eficazmente para a consecução do fim proposto a atividade comum; e este é o vigário de Cristo na terra. Pois que, como o divino Redentor enviou o Paráclito, Espírito de verdade, para que em sua vez (cf. Jo 14,16 e 26) tomasse o governo invisível da Igreja, assim mandou a Pedro e aos seus sucessores que, representando na terra a sua pessoa, tomassem o governo visível da família cristã.
 
Nem é menor a união, que por ela se estabelece entre nós e com a divina cabeça; pois que todos os fiéis que "temos o mesmo Espírito de fé" (2Cor 4,13), somos iluminados pela mesma luz de Cristo, sustentados pelo mesmo manjar de Cristo, e governados pela mesma autoridade e magistério de Cristo.
 
73. Mas a esse amor de Deus e de Cristo é preciso que corresponda a caridade para com o próximo. E realmente como podemos nós afirmar que amamos o Redentor divino, se odiamos aqueles que ele, para os fazer membros do seu corpo místico, remiu com seu precioso sangue? Por isso o Apóstolo, entre todos predileto de Cristo, nos adverte: "Se alguém disser que ama a Deus, e odiar a seu irmão, mente. Pois quem não ama a seu irmão, a quem vê, como pode amar a Deus, a quem não vê? E nós recebemos este mandamento, que quem ama a Deus ame também a seu Irmão" (1Jo 4,20-21). Antes devemos afirmar que tanto mais unidos estaremos com Deus, e com Cristo, quanto mais "formos membros uns dos outros" (Rm 12,25), solícitos uns pelos outros (lCor 12,25); e por outra parte, tanto mais viveremos entre nós unidos e estreitados pela caridade, quanto mais ardente for o amor que nos unir a Deus e à nossa divina cabeça.
 
78. Certamente não desconhecemos quão difícil de entender e de explicar é esta doutrina da nossa união com o divino Redentor, e especialmente da habitação do Espírito Santo nas almas, pelos véus do mistério que a recatam e tornam obscura à investigação da fraca inteligência humana. Mas sabemos também que da investigação bem feita e persistente e do conflito e concurso das várias opiniões, se a investigação for orientada pelo amor da verdade e pela devida submissão à Igreja, brotam faíscas e se acendem luzes com que, mesmo neste gênero de ciências sagradas, se pode obter verdadeiro progresso...
 
a) Com amor sólido
90. Mas para que não nos deixemos enganar pelo anjo das trevas, transfigurado em anjo de luz (cf. 2Cor 11,14), seja esta a suprema lei do nosso amor: amar a esposa de Cristo tal como Cristo a quis e a adquiriu com seu sangue. Portanto não só devemos amar sinceramente os sacramentos, com que a Igreja, mãe extremosa; nos sustenta, e as solenidades com que nos consola e alegra, os cantos sagrados e a liturgia, com que eleva as nossas almas à, coisas do céu, mas também os sacramentais e os vários exercícios de piedade com que suavemente impregna de Espírito de Cristo e conforta as almas. E não só é nosso dever pagar com amor, como bons filhos, o seu materno amor para conosco, senão também venerar a sua autoridade que ela recebeu de Cristo e com que cativa as nossas inteligências em homenagem a Cristo (cf. 2Cor 10,5); e não menos obedecer às suas leis e preceitos morais, às vezes molestos à nossa natureza decaída; refrear a rebeldia deste nosso corpo com penitência voluntária, e até mortificar-nos, privando-nos de quando em quando de coisas agradáveis, embora não perigosas. Nem basta amar o corpo místico no esplendor da cabeça divina e dos dons celestes que o exornam; devemos com amor efetivo amá-lo tal qual se nos apresenta na nossa carne mortal, composto de elementos humanos e enfermiços, embora por vezes desdigam um pouco do lugar que ocupam em tão venerando corpo.
b) Que nos faça ver Cristo na Igreja
 
91. Ora para que esse amor sólido e perfeito more nas nossas almas e cresça de dia para dia, é preciso que nos acostumemos a ver na Igreja o próprio Cristo. Pois que é Cristo que vive na sua Igreja, por ela ensina, governa e santifica; é Cristo que de vários modos se manifesta nos vários membros da sua sociedade.
 
Se todos os fiéis se esforçarem por viver realmente com esse vivo espírito de fé, não só prestarão a devida honra e reverência aos membros mais altos deste corpo místico, sobretudo aos que um dia têm de dar conta das nossas almas (cf. Hb 13,17), mas amarão de modo particular aqueles que o Salvador amou com singularíssima ternura, quais são os enfermos, chagados, fracos, todos os que precisam de remédio natural ou sobrenatural; a infância, cuja inocência está hoje exposta a tantos perigos, e cuja alma se pode modelar como branda cera; os pobres nos quais com sua compaixão se deve reconhecer e socorrer a pessoa de Jesus Cristo.
 94. E primeiramente imitemos a vastidão daquele amor, esposa de Cristo é só a Igreja; contudo o amor do divino Esposo é tão vasto, que a ninguém exclui, e na sua esposa abraça a todo o gênero humano; pois que o Salvador derramou o seu sangue na cruz para conciliar com Deus a todos os homens de todas as nações e estirpes, e para os reunir num só corpo. Por conseguinte o verdadeiro amor da Igreja exige não só que sejamos todos no mesmo corpo membros uns dos outros, cheios de mútua solicitude (cf. Rm 12,5;1Cor 12,25), que se alegrem com os que se alegram e sofram com os que sofrem (cf. lCor 12,26), mas que também nos outros homens ainda não incorporados conosco na Igreja, reconheçamos outros tantos irmãos de Jesus Cristo segundo a carne, chamados como nós para a mesma salvação eterna.
 
É verdade que hoje não faltam - é um grande mal - os que vão exaltando a rivalidade, o ódio, o rancor, como coisas que elevam e nobilitam a dignidade e o valor do homem. Nós, porém, que magoados vemos os funestos frutos de tal doutrina, sigamos o nosso Rei pacífico, que nos ensinou a amar os que não são da mesma nação ou mesma estirpe (cf. Lc 10,33-37) até os próprios inimigos (cf. Lc 6,27-35; Mt 5,44-48). Nós, compenetrados dos suavíssimos sentimentos do Apóstolo das gentes, com ele cantemos o comprimento, a largura, a sublimidade, a profundeza da caridade de Cristo (cf. Ef 3,18), que nem a diversidade de nacionalidade, ou de costumes pode quebrar, nem a vastidão imensa do oceano diminuir, nem as guerras, justas ou injustas, arrefecer.
 
100. Os que não pertencem ao organismo visível da Igreja católica, como sabeis, veneráveis irmãos, confiamo-los também, desde o princípio do nosso pontificado, à proteção e governo do alto, protestando solenemente que a exemplo do bom pastor tínhamos um só desejo: "que eles tenham vida e a tenham em abundância". (61)

Esta nossa solene declaração queremos reiterar, depois de pedirmos as orações de toda a Igreja nesta encíclica em que celebramos os louvores "do grande e glorioso corpo de Cristo", (62) convidando a todos e cada um com todo o amor da nossa alma, a que espontaneamente e de boa vontade cedam às íntimas inspirações da graça divina e procurem sair de um estado em que não podem estar seguros de sua eterna salvação, (63) pois, embora por desejo e voto inconsciente, estejam ordenados ao corpo místico do Redentor, carecem de tantas e tão grandes graças e auxílios que só na Igreja católica podem encontrar. Entrem, pois, na unidade católica e unidos conosco no corpo de Jesus Cristo, conosco venham a fazer parte, sob uma só cabeça, da sociedade da gloriosíssima caridade.(64) Nós, jamais cessaremos as nossas súplicas ao Espírito de amor e verdade, e esperamo-los de braços abertos não como a estranhos, mas como a filhos que vêm para a sua casa paterna.
101. Mas se desejamos que sem interrupção subam até Deus as orações de todo o corpo místico implorando que os errantes entrem quanto antes no único redil de Jesus Cristo, declaramos contudo ser absolutamente necessário que eles o façam espontânea e livremente, pois que ninguém crê, senão por vontade. (65) Por conseguinte se alguns que não crêem são realmente forçados a entrar nos templos, a aproximar-se do altar e a receber os sacramentos, não se fazem verdadeiros cristãos: (66) a fé, sem a qual "é impossível agradar a Deus" (Hb 1,6), deve ser libérrima "homenagem da inteligência e da vontade".(67) Se, portanto, acontecesse que, contra a doutrina constante da Sé Apostólica, (68) alguém fosse obrigado a abraçar contra sua vontade a fé católica, nós, conscientes do nosso dever, não podemos deixar de o reprovar. Mas porque os homens são livres e podem, sob o impulso de más paixões e apetites desordenados, abusar da própria liberdade, então é necessário que o Pai das luzes, pelo Espírito de seu amado Filho, os mova e atraia eficazmente à verdade. Ora, se muitos ainda - infelizes - estão longe da verdade católica e não querem ceder às inspirações da graça divina, é porque não só eles, (69) mas também os fiéis não oram mais fervorosamente por essa intenção. Por isso nós uma e outra vez exortamos a todos a que, por amor da Igreja e seguindo o exemplo do divino Redentor, o façam continuamente.
 
103. Mas Cristo Senhor nosso mostrou seu amor à esposa imaculada não só trabalhando incansavelmente e orando constantemente, senão também com as dores e ignomínias que, por ela, espontânea e amorosamente tolerou. "Tendo amado aos seus... amou-os até ao fim" (Jo 13,1) e foi com seu sangue que ele adquiriu a Igreja (cf. At 20,28). Sigamos de boa vontade as sangüinolentas pisadas de nosso Rei, como exige a necessidade de assegurarmos a nossa salvação: "Se fomos enxertados nele pela semelhança da sua morte, sê-lo-emos também pela ressurreição" (Rm 6,5) e "se morrermos com ele, com ele viveremos" (2Tm 2,11). Exige-o igualmente a caridade verdadeira e efetiva para com a Igreja e para com as almas, que ela continuamente gera a Cristo. Com efeito, ainda que o Salvador, pelos seus cruéis tormentos e morte dolorosíssima, mereceu à Igreja um tesouro infinito de graças, contudo essas graças, por disposição da providência divina, são-nos comunicadas por partes; e a sua maior ou menor abundância depende não pouco também das nossas boas obras, com que impetramos da bondade divina e atraímos sobre os próximos a chuva dos dons celestes. Será esta chuva abundantíssima, se não nos contentarmos em oferecer a Deus fervorosas preces, sobretudo participando devotamente e, quanto possível, todos os dias, ao sacrifício eucarístico, mas também procuramos, com obras de misericórdia cristã, aliviar os sofrimentos de tantos indigentes; se preferirmos os bens eternos às coisas caducas deste mundo; se refrearmos este corpo mortal com voluntária mortificação, negando-lhe todo o ilícito, e impondo-lhe fadigas e austeridades; se recebermos com humildade, como da mão de Deus, os trabalhos e dores desta vida presente. E assim que, segundo o Apóstolo, "completaremos o que falta à paixão de Cristo na nossa carne, por amor do seu corpo que é a Igreja" (cf. Cl 1,24). Enquanto isto escrevemos, depara-se-nos à vista uma quase infinita multidão de infelizes, cuja sorte nos arranca lágrimas da maior compaixão: doentes, pobres, mutilados, caídos na viuvez ou na orfandade, e muitíssimos que em conseqüência dos sofrimentos próprios ou dos seus se vêem às portas da morte. A todos os que assim, por um motivo ou por outro, jazem imersos na tristeza e na angústia, exortamos com coração paterno a que levantem confiadamente os olhos ao céu e ofereçam os seus trabalhos Àquele que um dia os recompensará divinamente. Lembrem-se todos que a sua dor não é inútil; mas que será proveitosíssima a eles, e também à Igreja, se com esta intenção a sofrerem pacientemente. Para isso ajudá-los-á muitíssimo o oferecimento cotidiano de si mesmos a Deus, como usam fazer os membros do Apostolado da oração, pia associação, que nós aqui encarecidamente recomendamos, como sumamente aceita ao Senhor.
 
104. Mas se em todo o tempo devemos unir os nossos sofrimentos com os do divino Redentor para a salvação das almas, muito mais hoje em dia, veneráveis irmãos, quando o imenso incêndio da guerra abrasa quase todo o mundo e causa tantas mortes, tantas desgraças, tantos trabalhos; hoje de modo
 
especial é dever de todos fugir dos vícios, das seduções do século, das paixões desenfreadas da carne, e não menos da vaidade e futilidade das coisas terrenas, que nada aproveitam à vida cristã, nada para ganhar o céu. Ao contrário fixemos bem no Espírito aquelas gravíssimas palavras de Nosso imortal predecessor Leão Magno, quando afirmava que pelo batismo nos tornamos carne do Crucificado,(70) e a belíssima oração de santo Ambrósio: "Leva-me, ó Cristo, na tua cruz, a qual é a salvação dos errantes, o único descanso dos cansados, única vida dos mortais".(71)
 
 
AVE MARIA
 
 
 
Fonte:Vaticano


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O Catecismo Romano ensina:

82) não pertence à comunidade da Igreja: os infiéis, os hereges, os cismáticos e os excomungados.


O catecismo de São Pio X ensina:

199) Quem não acreditasse nas definições solenes do Papa, que pecado cometeria?
Quem não acreditasse nas definições solenes do Papa, ou ainda só duvidasse delas, pecaria contra a fé; e, se se obstinasse nesta incredulidade, já não seria mais católico, mas herege.

 
Cân. 751 Chama-se heresia a negação pertinaz, após a recepção do batismo, de qualquer verdade que se deva crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dela; apostasia, o repúdio total da fé cristã; cisma, a recusa de sujeição ao Sumo Pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos.

Cân. 1364 § 1. O apóstata da fé, o herege ou o cismático incorre em excomunhão latae sententiae.
 
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13 setembro 2012

Jesus Cristo é enfim o que invisível preside e dirige os concílios da Igreja - Papa Pio XII {Parte 1}

Com certeza esta é umas das encíclicas mais bonitas que tenho lido. Mystici Corporis do Papa Pio XII, de 1943. Se ainda não leu, leia agora! Este documento deveria ser utilizado em toda catequese. Santo Agostinho disse que a autoridade da Igreja deveria ser muito bem explicada pois dificilmente os fiéis discordariam da divindade de Cristo mas sobre a união a Igreja seria fácil uma interpretação errônea ( e não é justamente isso o problema na Igreja de hoje?) O Papa Pio XII explica com uma simplicidade mas ao mesmo tempo tão profundo sobre a Igreja visível e invísvel que muitos pensariam 2 vezes antes de fazer pouco caso ao que o Papa fala. Mas deixo o Santo Papa explicar, afinal é o Magistério vivo da Igreja quem tem autorida para ensinar e não eu:). Aqui alguns trechos:
 
 
CARTA ENCÍCLICA
MYSTICI CORPORIS

DO SUMO PONTÍFICE
PAPA PIO XII

O CORPO MÍSTICO DE JESUS CRISTO
E NOSSA UNIÃO NELE COM CRISTO
 
 
5. Confiamos ainda que o que vamos expor sobre o Corpo Místico de Cristo não será desagradável nem inútil aos que vivem fora do seio da Igreja católica. E isto, não só porque a sua benevolência para com a Igreja parece aumentar de dia para dia, senão também porque vendo eles atualmente como as nações se erguem contra as nações e os reinos contra os reinos, e crescem indefinidamente as discórdias, os antagonismos e as sementeiras do ódio, se volverem os olhos para a Igreja, se contemplarem a sua unidade de origem divina, por virtude da qual os homens de todas as nacionalidades se unem a Cristo com vínculos fraternos, então sem dúvida ver-se-ão forçados a admirar uma tal sociedade de amor e sentir-se-ão atraídos com o auxílio da graça a participar da mesma unidade e caridade...

..."a razão iluminada pela fé, quando indaga com diligência, piedade e sobriedade, alcança sempre por graça de Deus alguma inteligência, sempre frutuosíssima, dos mistérios, quer pela analogia com os conhecimentos naturais, quer pela relação que os mistérios têm entre si e com o último fim do homem"; embora, como adverte o mesmo sagrado concílio (CVI), "nunca ela chegue a compreender os mistérios como as verdades que constituem o seu próprio objeto".

...Essas graças podia ele distribuí-las diretamente por si mesmo (Jesus) a todo o gênero humano. Quis, porém, comunicá-las por meio da Igreja visível, formada por homens, afim de que por meio dela todos fossem, em certo modo, seus colaboradores na distribuição dos divinos frutos da Redenção. E assim como o Verbo de Deus, para remir os homens com suas dores e tormentos, quis servir-se da nossa natureza, assim, de modo semelhante, no decurso dos séculos se serve da Igreja para continuar perenemente a obra começada....

1. A Igreja é um "corpo"

Corpo único, indiviso, visível

14. Que a Igreja é um corpo, ensinam-nos muitos passos da sagrada Escritura: "Cristo, diz o Apóstolo, é a cabeça do corpo da Igreja" (Cl 1, 18). Ora, se a Igreja é um corpo, deve necessariamente ser um todo sem divisão, segundo aquela sentença de Paulo: "Nós, muitos, somos um só corpo em Cristo" (Rm 12, 5). E não só deve ser um todo sem divisão, mas também algo concreto e visível, como afirma nosso predecessor de feliz memória Leão XIII, na encíclica "Satis cognitum": "Pelo fato mesmo que é um corpo, a Igreja torna-se visível aos olhos". (4) Estão pois longe da verdade revelada os que imaginam a Igreja por forma, que não se pode tocar nem ver, mas é apenas, como dizem, uma coisa "pneumática" que une entre si com vínculo invisível muitas comunidades cristãs, embora separadas na fé.

15. O corpo requer também multiplicidade de membros, que unidos entre si se auxiliem mutuamente. E como no nosso corpo mortal, quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele, e os sãos ajudam os doentes; assim também na Igreja os membros não vivem cada um para si, mas socorrem-se e auxiliam-se uns aos outros, tanto para mútua consolação, como para o crescimento progressivo de todo o Corpo....
 
Corpo composto "orgânica" e "hierarquicamente"
16. Mais ainda. Como na natureza não basta qualquer aglomerado de membros para formar um corpo, mas é preciso que seja dotado de órgãos ou membros com funções distintas e que estejam unidos em determinada ordem, assim também a Igreja deve chamar-se corpo sobretudo porque resulta de uma boa e apropriada proporção e conjunção de partes e é dotada de membros diversos e unidos entre si. É assim que o Apóstolo descreve a Igreja quando diz: "como num só corpo temos muitos membros, e os membros não têm todos a mesma função, assim muitos somos um só corpo de Cristo, e todos e cada um membros uns dos outros" (Rm 12, 4).
17. Não se julgue, porém, que esta bem ordenada e "orgânica" estrutura do corpo da Igreja se limita unicamente aos graus da hierarquia; ou, ao contrário, como pretende outra opinião, consta unicamente de carismáticos, isto é, dos féis enriquecidos de graus extraordinárias, que nunca hão de faltar na Igreja. E fora de dúvida que todos os que neste corpo estão investidos de poder sagrado, são membros primários e principais, já que são eles que, por instituição do próprio Redentor, perpetuam os ofícios de Cristo doutor, rei e sacerdote. Contudo os santos Padres, quando celebram os ministérios, graus, profissões, estados, ordens, deveres deste corpo místico, não consideram só os que têm ordens sacras, senão também todos aqueles que, observando os conselhos evangélicos, se dão à vida ativa, à contemplativa, ou à mista, segundo o próprio instituto; bem como os que, vivendo no século, se consagram ativamente a obras de misericórdia espirituais ou corporais; e, finalmente, também os que vivem unidos pelo santo matrimônio. Antes é de notar que, sobretudo nas atuais circunstâncias, os pais e as mães de família, os padrinhos e madrinhas, e notadamente todos os seculares que prestam o seu auxílio à hierarquia eclesiástica na dilatação do reino de Cristo, ocupam um posto honorífico, embora muitas vezes humilde, na sociedade cristã, e podem muito bem sob a inspiração e com o favor de Deus subir aos vértices da santidade, que por promessa de Jesus Cristo nunca faltará na Igreja.
 
Corpo dotado de órgãos vitais, isto é, sacramentos
18. E como o corpo humano nos aparece dotado de energias especiais com que provê à vida, saúde e crescimento seu e de todos os seus membros, assim o Salvador do gênero humano providenciou admiravelmente ao seu corpo místico enriquecendo-o de sacramentos, que com uma série ininterrupta de graças amparam o homem desde o berço até ao último suspiro, e ao mesmo tempo provêem abundantissimamente às necessidades sociais da Igreja. Com efeito, pelo Batismo os que nasceram a esta vida mortal, não só renascem da morte do pecado e são feitos membros da Igreja, senão que, assinalados com o caráter espiritual, se tornam capazes de receber os outros dons sagrados. Com a Crisma infunde-se nova força nos féis para conservarem e defenderem corajosamente a santa madre Igreja e a fé que dela receberam. Pelo sacramento da Penitência oferece-se aos membros da Igreja caídos em pecado uma medicina salutar, que serve não só a restituir-lhes a saúde, mas a preservar os outros membros do corpo místico do perigo de contágio, e até a dar-lhes estímulo e exemplo de virtude. E não basta. Pela sagrada Eucaristia alimentam-se e fortificam-se os fiéis com um mesmo alimento e se unem entre si e a divina Cabeça de todo o Corpo com um vínculo inefável e divino. Finalmente ao leito dos moribundos acode a Igreja, mãe compassiva, e com o sacramento da Extrema-unção, se nem sempre lhes dá a saúde do corpo, por Deus assim o dispor, dá-lhes às almas feridas a medicina sobrenatural, abre-lhes o céu, onde como novos cidadãos e seus novos protetores gozarão por toda a eternidade da divina bem-aventurança.
19. As necessidades sociais da Igreja proveu Cristo de modo especial com dois sacramentos que instituiu: com o Matrimônio em que os cônjuges são reciprocamente um ao outro ministros da graça, proveu ao aumento externo e bem ordenado da sociedade cristã; e, o que é ainda mais importante, à boa e religiosa educação da prole, sem a qual o corpo místico correria perigo; com a Ordem dedicam-se e consagram-se ao serviço de Deus os que hão de imolar a Hóstia eucarística, sustentar a grei dos féis com o Pão dos Anjos e com o alimento da doutrina, dirigi-la com os divinos mandamentos e conselhos e purificá-la com o batismo e a penitência, enfim fortalecê-la com as outras graças celestes.
 
 
21. Como membros da Igreja contam-se realmente só aqueles que receberam o lavacro da regeneração e professam a verdadeira fé, nem se separaram voluntariamente do organismo do corpo, ou não foram dele cortados pela legítima autoridade em razão de culpas gravíssimas. "Todos nós, diz o Apóstolo, fomos batizados num só Espírito para formar um só Corpo, judeus ou gentios, escravos ou livres" (l Cor 12, 13). Portanto como na verdadeira sociedade dos fiéis há um só corpo, um só Espírito, um só Senhor, um só batismo, assim não pode haver senão uma só fé (cf. Ef 4, 5), e por isso quem se recusa a ouvir a Igreja, manda o Senhor que seja tido por gentio e publicano (cf. Mt 18, 17). Por conseguinte os que estão entre si divididos por motivos de fé ou pelo governo, não podem viver neste corpo único nem do seu único Espírito divino...
 
 
22. Não se deve, porém, julgar que já durante o tempo da peregrinação terrestre, o corpo da Igreja, por isso que leva o nome de Cristo, consta só de membros com perfeita saúde, ou só dos que de fato são por Deus predestinados à sempiterna felicidade. Por sua infinita misericórdia o Salvador não recusa lugar no seu corpo místico àqueles a quem o não recusou outrora no banquete (Mt 9, 11; Mc 2, 16; Lc 15,2). Nem todos os pecados, embora graves, são de sua natureza tais que separem o homem do corpo da Igreja como fazem os cismas, a heresia e a apostasia. Nem perdem de todo a vida sobrenatural os que pelo pecado perderam a caridade e a graça santificante e por isso se tornaram incapazes de mérito sobrenatural, mas conservam a fé e a esperança cristã, e alumiados pela luz celeste, são divinamente estimulados com íntimas inspirações e moções do Espírito Santo ao temor salutar, à oração e ao arrependimento das suas culpas.
 
 
23. Tenha-se, pois, sumo horror ao pecado que mancha os membros místicos do Redentor; mas o pobre pecador que não se tornou por sua contumácia indigno da comunhão dos fiéis, seja acolhido com maior amor, vendo-se nele com caridade operosa um membro enfermo de Jesus Cristo: Pois que é muito melhor, como nota o bispo de Hipona, "curá-los no corpo da Igreja, do que amputá-los como membros incuráveis".(5) "Enquanto o membro está ainda unido ao corpo não há por que desesperar da sua saúde; uma vez amputado, nem se pode curar, nem se pode sarar".(6)
 
 
a) Cristo foi o "Fundador" deste corpo
25. Devendo expor brevemente o modo como Cristo fundou o seu corpo social, acode-nos antes de mais nada esta sentença de nosso predecessor de feliz memória Leão XIII: "A Igreja, que já concebida, nascera do lado do segundo Adão, adormecido na cruz, manifestou-se pela primeira vez à luz do mundo de modo insigne no celebérrimo dia de Pentecostes".(7) De fato o divino Redentor começou a fábrica do templo místico da Igreja, quando na sua pregação ensinou os seus mandamentos; concluiu-a quando, glorificado, pendeu da Cruz; manifestou-a enfim e promulgou-a quando mandou sobre os discípulos visivelmente o Espírito paráclito.
26. Durante o seu ministério público escolhia os Apóstolos, enviando-os como ele próprio tinha sido enviado pelo Pai (Jo 17,18), como mestres, guias, agentes da santidade na assembléia dos fiéis; designava o chefe deles e seu vigário em terra (cf. Mt 16,18-19); fazia-lhes conhecer tudo o que tinha ouvido do Pai (Jo 15, 15; 17, 8.14); indicava também o batismo (cf. Jo 3, 5) como meio para os que no futuro cressem serem incorporados no Corpo da Igreja; finalmente chegando ao anoitecer da vida, durante a última ceia, instituía a Eucaristia, admirável sacrifício e admirável sacramento.
27. Ter ele consumado no patíbulo da cruz a sua obra, afirmam-no, numa série ininterrupta de testemunhos, os santos Padres, que notam ter a Igreja nascido na cruz do lado do Salvador, qual nova Eva, mãe de todos os viventes (cf. Gn 3, 20). "Agora, diz o grande Ambrósio tratando do lado de Cristo aberto, é ela edificada, agora formada, agora esculpida, agora criada... Agora é a casa espiritual elevada a sacerdócio santo".(8) Quem devotamente investigar esta venerável doutrina, poderá sem dificuldade ver as razões em que ela se funda...
 
30. Se nosso Salvador por sua morte foi feito cabeça da Igreja no pleno sentido da palavra, igualmente pelo seu sangue foi a Igreja enriquecida daquela abundantíssima comunicação do Espírito que divinamente a ilustra desde que o Filho do homem foi elevado e glorificado no seu doloroso patíbulo. Então como nota santo Agostinho,(13) rasgado o véu do templo, o orvalho dos dons do Paráclito, que até ali descera somente sobre o velo, isto é, sobre o povo de Israel, começou deixando o velo enxuto, a regar a Igreja e abundantemente toda a terra, quer dizer a Igreja católica, que não conhece fronteira de estirpe ou território. Como no primeiro instante da encarnação, o Filho do Eterno Pai ornou a natureza humana, consigo substancialmente unida, com a plenitude do Espírito Santo, para que fosse apto instrumento da divindade na hora cruenta da redenção; assim na hora da sua preciosa morte enriqueceu a sua Igreja com mais copiosos dons do Paráclito, para a tornar válido e perpétuo instrumento do Verbo encarnado na distribuição dos divinos frutos da redenção.
 
De fato a missão jurídica da Igreja e o poder de ensinar, governar e administrar os sacramentos não têm força e vigor sobrenatural para edificar o corpo de Cristo, senão porque Cristo pendente da cruz abriu à sua Igreja a fonte das divinas graças com as quais pudesse ensinar aos homens doutrina infalível, governá-los salutarmente por meio de pastores divinamente iluminados, e inundá-los com a chuva das graças celestes.
 
32. A Igreja que com seu sangue fundara, robusteceu-a com energias especiais descidas do céu, no dia de Pentecostes. Com efeito, depois de ter solenemente investido no seu ofício aquele que já antes tinha designado para seu vigário, subiu ao céu; e, sentado à direita do Pai, quis manifestar e promulgar a sua esposa com a descida visível do Espírito Santo, com o ruído do vento impetuoso e com as línguas de fogo (cf. At 2, 1-4). Como ele próprio ao princípio do seu público ministério tinha sido manifestado pelo Eterno Pai por meio do Espírito Santo que em figura de pomba desceu e pousou sobre ele (cf. Lc 3, 22; Mc 1, 10), assim igualmente quando os Apóstolos estavam para começar o sagrado ofício de pregar, mandou Cristo Senhor nosso do céu o seu Espírito que, tocando-os com línguas de fogo, mostrou, como com o dedo de Deus, a missão e o múnus sobrenatural da Igreja.
 
Cristo é a cabeça deste corpo
 
36. E porque Cristo ocupa lugar tão sublime, com razão é ele só a reger e governar a Igreja; nova razão para se assemelhar à cabeça....  Uma vez que governar uma sociedade composta de homens não é outra coisa do que com útil providência, meios aptos e retas normas conduzi-los a um fim determinado,(17) é fácil de ver que nosso Salvador, modelo e exemplar dos bons pastores (cf. Jo 10,1-18;1Pd 5,115), exercita maravilhosamente todos estes ofícios.
 
37. Ele na sua vida mortal instruiu-nos com leis, conselhos, avisos, em palavras que não passarão nunca e para os homens de todos os tempos serão Espírito e vida (cf. Jo 6,63). Além disso deu aos apóstolos e seus sucessores o tríplice poder de ensinar, reger e santificar, poder definido com especiais leis, direitos e deveres, que constituem a lei fundamental de toda a Igreja.
 
38. Mas nosso divino Salvador governa e dirige também por si mesmo e diretamente a sociedade que fundou; pois que ele reina nas inteligências e corações dos homens e dobra e compele a seu beneplácito as vontades ainda mais rebeldes. "O coração do rei está na mão do Senhor; incliná-lo-á para onde quiser" (Pr 21,1). Com este governo interno ele, qual "pastor e bispo das nossas almas" (cf. 1Pd 2,25) não só tem cuidado de cada um em particular, mas também de toda a Igreja; tanto quando ilumina e fortalece os sagrados pastores para que fel e frutuosamente se desempenhem de seus ofícios, como quando - em circunstâncias particularmente graves - faz surgir no seio da Igreja homens e mulheres de santidade assinalada, que sejam de exemplo aos outros fiéis, para incremento do seu corpo místico. Acresce ainda que Cristo do céu vela sempre com particular amor pela sua esposa intemerata, que labuta neste terrestre exílio; e quando a vê em perigo, ou por si mesmo, ou pelos seus anjos (cf. At 8,26; 9,119; 10,1-7; 12,3-10), ou por aquela que invocamos como auxílio dos cristãos, e pelos outros celestes protetores, salva-a das ondas procelosas e, serenado e abonançado o mar, consola-a com aquela paz "que supera toda a inteligência" (Fl 4,7).
 
39. Não se julgue, porém, que o seu governo se limita a uma ação invisível, (18) ou extraordinária. Ao contrário, o divino Redentor governa o seu corpo místico de modo visível e ordinário por meio do seu vigário na terra. Vós bem sabeis, veneráveis irmãos, que Cristo nosso Senhor, depois de ter, durante a sua carreira mortal, governado pessoalmente e de modo visível o seu "pequeno rebanho" (Lc 12,32), quando estava para deixar este mundo e voltar ao Pai, confiou ao príncipe dos apóstolos o governo visível de toda a sociedade que fundara. E realmente, sapientíssimo como era, não podia deixar sem cabeça visível o corpo social da Igreja que instituíra. Nem se objete que com o primado de jurisdição instituído na Igreja ficava o corpo místico com duas cabeças. Porque Pedro, em força do primado, não é senão vigário de Cristo, e por isso a cabeça principal deste corpo é uma só: Cristo; o qual, sem deixar de governar a Igreja misteriosamente por si mesmo, rege-a também de modo visível por meio daquele que faz as suas vezes na terra; e assim a Igreja, depois da gloriosa ascensão de Cristo ao céu não está educada só sobre ele, senão também sobre Pedro, como fundamento visível.
 
Que Cristo e o seu vigário formam uma só cabeça ensinou-o solenemente nosso predecessor de imortal memória Bonifácio VIII, na carta apostólica "Unam Sanctam"(19) e seus sucessores não cessaram nunca de o repetir.
 
40. Em erro perigoso estão, pois, aqueles que julgam poder unir-se a Cristo, cabeça da Igreja, sem aderirem fielmente ao seu vigário na terra. Suprimida a cabeça visível e rompidos os vínculos visíveis da unidade, obscurecem e deformam de tal maneira o corpo místico do Redentor, que não pode ser visto nem encontrado de quantos demandam o porto da eterna salvação.
 
 
É Ele que infunde nos féis a luz da fé; Ele que aos pastores e doutores e sobre todos ao seu vigário na terra enriquece divinamente com os dons sobrenaturais de ciência, entendimento e sabedoria, para que conservem fielmente o tesouro da fé, o defendam corajosamente, piedosa e diligentemente o expliquem e valorizem; Ele é enfim o que invisível preside e dirige os concílios da Igreja.(26)
 
Cristo é o "sustentador" da Igreja
 
52. Observa Belarmino, com muita sutileza, (28) que com esta denominação de corpo Cristo não quer dizer somente que ele é a cabeça do seu corpo místico, senão também que sustenta a Igreja, de tal maneira que a Igreja é como uma segunda personificação de Cristo. Afirma-o também o Doutor das gentes, quando, na epístola aos Coríntios, chama, sem mais, Cristo a Igreja (l Cor 12,12), imitando de certo o divino Mestre que, quando ele perseguia a Igreja, lhe bradou do céu: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" (cf. At 9,4; 22, 7; 26,14). Antes são Gregório Nisseno diz-nos que o Apóstolo repetidamente chama Cristo à Igreja; (29) nem vós, veneráveis irmãos, ignorais aquela sentença de Agostinho: "Cristo prega a Cristo".(30)
 
53. Todavia essa nobilíssima denominação não deve entender-se como se aquela inefável união, com que o Filho de Deus assumiu uma natureza humana determinada, se estende a toda a Igreja; mas quer dizer que o Salvador comunica à sua Igreja os seus próprios bens de tal forma que ela, em toda a sua vida visível e invisível, é um perfeitíssimo retrato de Cristo. De fato em força da missão jurídica com que o divino Redentor enviou os apóstolos ao mundo, como o Pai o enviara a ele (cf. Jo 17,18 e 20,21), é ele que pela sua Igreja batiza, ensina, governa, ata, desata, oferece e sacrifica.
 
...É ele que, embora resida e opere divinamente em todos os membros, contudo também age nos inferiores por meio dos superiores; ele enfim que cada dia produz na Igreja com sua graça novos incrementos, mas não habita com a graça santificante nos membros totalmente cortados do corpo...
 
"A nossa cabeça, diz santo Agostinho, ora por nós; acolhe uns membros, castiga outros, a outros purifica, a outros consola, a outros cria, a outros chama, a outros torna a chamar, a outros corrige, a outros reintegra".(34) A nós é dado cooperar com Cristo nesta obra, "de um e por um somos salvos e salvamos".(35)
 
62. De quanto até aqui expusemos, veneráveis irmãos, é evidente que estão em grave erro os que arbitrariamente ungem uma Igreja como que escondida e invisível;....pois que o Verbo de Deus assumiu a natureza humana passível, para que, uma vez fundada e consagrada com seu sangue a sociedade visível, "o homem fosse reconduzido pelo governo visível às realidades invisíveis".(43)
 
63...O Eterno Pai quis que ela fosse "o reino do seu Filho muito amado" (Cl 1,13); mas realmente um reino em que todos os fiéis prestassem homenagem plena de entendimento e de vontade, (45) e com humildade e obediência se conformassem àquele que por nós "se fez obediente até à morte" (Fl 2,8).
 
Portanto nenhuma oposição ou contradição pode haver entre a missão invisível do Espírito Santo e o múnus jurídico dos pastores e doutores recebido de Cristo; pois que as duas coisas, como em nós o corpo e a alma, mutuamente se completam e aperfeiçoam e provêm igualmente do único Salvador nosso, que não só disse ao emitir o sopro divino: "Recebei o Espírito Santo" (Jo 20, 22), mas em voz alta e clara acrescentou: "Como o Pai me enviou a mim, assim eu vos envio a vós" (Jo 20, 21), e também: "Quem vos ouve a mim ouve" (Lc 10,16).
 
64. E se às vezes na Igreja se vê algo em que se manifesta a fraqueza humana, isso não deve atribuir-se a sua constituição jurídica, mas àquela lamentável inclinação do homem para o mal, que seu divino Fundador às vezes permite até nos membros mais altos do seu corpo místico para provar a virtude das ovelhas e dos pastores e para que em todos cresçam os méritos da fé cristã....Cristo,...não quis excluir da sua Igreja os pecadores; portanto se alguns de seus membros estão espiritualmente enfermos,...é para aumentarmos a nossa compaixão para com os seus membros.


65. Sem mancha alguma, brilha a santa madre Igreja nos sacramentos com que gera e sustenta os filhos; na fé que sempre conservou e conserva incontaminada; nas leis santíssimas que a todos impõe, nos conselhos evangélicos que dá; nos dons e graças celestes, pelos quais com inexaurível fecundidade (46) produz legiões de mártires, virgens e confessores. Nem é sua culpa se alguns de seus membros sofrem de chagas ou doenças; por eles ora a Deus todos os dias: "Perdoai-nos as nossas dívidas" e incessantemente com fortaleza e ternura materna trabalha pela sua cura espiritual...
 
 
AVE MARIA
 
Fonte:Vaticano
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27 junho 2012

Receita de pão: As chaves de São Pedro!


Ando fascinada por tudo que diz respeito à autoridade Papal. Talvez por toda a confusão que encontramos hoje, pela simples falta da virtude de obediência/humildade, ando lendo muito mais a Bíblia e os documentos dogmáticos que  definem a autoridade de Pedro.

§553 Jesus confiou a Pedro uma autoridade específica: "Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: o que ligares na terra será ligado nos Céus, e o que desligares na terra será desligado nos Céus" (Mt 16,19). O "poder das chaves" designa a autoridade para governar a casa de Deus, que é a Igreja. Jesus, "o Bom Pastor" (Jo 10,11), confirmou este encargo depois de sua Ressurreição: "Apascenta as minhas ovelhas" (Jo 21,15-17). O poder de "ligar e desligar" significa a autoridade para absolver os pecados, pronunciar juízos doutrinais e tomar decisões disciplinares na Igreja. Jesus confiou esta autoridade à Igreja pelo ministério dos apóstolos e particularmente de Pedro, o único ao qual confiou explicitamente as chaves do Reino.
§567 O Reino dos céus foi inaugurado na terra por Cristo. "Manifesta-se lucidamente aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo. "A Igreja é o germe e o começo desde Reino. Suas chaves são confiadas a Pedro.
§881 Somente Simão, a quem deu o nome de Pedro, o Senhor constituiu em pedra de sua Igreja. Entregou-lhe as chaves da mesma, instituiu-o pastor de todo o rebanho.
§936 O Senhor fez de São Pedro o fundamento visível de sua Igreja. Entregou-lhe suas chaves. O Bispo da igreja de Roma, sucessor de São Pedro, é "a cabeça do colégio dos Bispos, Vigário de Cristo e, aqui na terra, pastor da igreja ".
§1444 Conferindo aos apóstolos seu próprio poder de perdoar os pecados, o Senhor também lhes dá a autoridade de reconciliar os pecadores com a Igreja. Esta dimensão eclesial de sua tarefa exprime-se principalmente na solene palavra de Cristo a Simão Pedro: "Eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e o que ligares na terra ser ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16,19). "O múnus de ligar e desligar, que foi dado a Pedro, consta que também foi dado ao colégio do apóstolos, unido a seu chefe (cf. Mt 18,18; 28,16-20 )."




Pão das chaves de São Pedro

Você precisa de:

2 sachês de fermento (aproximadamente 15g);
5 copos de farinha de trigo;
1 copo de leite;
3/4 de copo de água;
1/2 de copo de óleo vegetal;
1/4 de copo de açúcar;
1 colher de chá de sal.

Misture 2 copos de farinha com o fermento e reserve;
Em uma panela, aqueça o leite, a água, o óleo, o açúcar e o sal até estar morno;
Adicione a mistura morna à farinha misturada com fermento e sove até ficar uma massa lisa - sem pelotas;
Aos poucos. adicione os 3 copos de farinha restante e continue sovando até conseguir uma massa macia;
Deixe a massa descansar em uma superfície com farinha de trigo para não grudar e cubra a massa com uma vasilha por aproximadamente 10 minutos;

Hora de moldar as chaves do céu!
Para a cabeça da chave, abra uma tira longa e grossa e dobre como se os braços tivessem cruzados (foto primeira); faça uma tira longa para o corpo  e duas ou três tiras pequenas e de tamanhos diferentes para fazer os dentes da chave.

Coloque em uma forma untada e asse em forno pré-aquecido (200 graus celsius aproximadamente) por 15 minutos (se o seu forno é à gás precisará de mais tempo para assar).


Demos graças a Deus, que deu à Igreja para nos guiar e repetindo as palavras de São Pio X

A sociedade está doente e o remédio é o PAPA! 











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01 agosto 2011

O RESPEITO PELA ALMA DO PRÓXIMO: O ESCÂNDALO


2284. O escândalo é a atitude ou comportamento que leva outrem a fazer o mal. O escandaloso transforma-se em tentador do seu próximo; atenta contra a virtude e a rectidão, podendo arrastar o irmão para a morte espiritual. O escândalo constitui uma falta grave se, por acção ou omissão, levar deliberadamente outra pessoa a cometer uma falta grave.

2285. O escândalo reveste-se duma gravidade particular conforme a autoridade dos que o causam ou a fraqueza dos que dele são vítimas. Ele inspirou esta maldição a nosso Senhor: «Mas se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em Mim, seria preferível que lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do mar» (Mt 18, 6) (59). O escândalo é grave quando é causado por aqueles que, por natureza ou em virtude da função que exercem, tem a obrigação de ensinar e de educar os outros. Jesus censura-o nos escribas e fariseus, comparando-os a lobos disfarçados de cordeiros (60).

2286. O escândalo pode ser provocado pela lei ou pelas instituições, pela moda ou pela opinião.

É assim que se tornam culpados de escândalo os que estabelecem leis ou estruturas sociais conducentes à degradação dos costumes e à corrupção da vida religiosa, ou a «condições sociais que, voluntária ou involuntariamente, tornam difícil e praticamente impossível uma conduta cristã conforme aos mandamentos» (61). O mesmo se diga dos chefes de empresa que tomam medidas incitando à fraude, dos professores que «exasperam» os seus alunos (62), ou daqueles que, manipulando a opinião pública, a desviam dos valores morais.

2287. Aquele que usa dos poderes de que dispõe, em condições que induzem a agir mal, torna-se culpado de escândalo e responsável pelo mal que, directa ou indirectamente, favorece. «É inevitável que haja escândalos, mas ai daquele que os causa» (Lc 17, 1).
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16 junho 2011

Confissão e Moral relacionada com a vida conjugal


(na ceremônia de casamento na Forma Extraordinária a aliança é colocada no polegar, no indicador e por último no anelar dizendo in nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti respectivamente)

.....A família, definida pelo Concílio Ecumênico Vaticano II como o santuário doméstico da Igreja e que é a « primeira célula vital da sociedade », constitui um objeto privilegiado da atenção pastoral da Igreja. « Num momento histórico em que a família é alvo de numerosas forças que a procuram destruir ou de algum modo deformar, a Igreja, sabedora de que o bem da sociedade e de si mesma está profundamente ligado ao bem da família, sente de modo mais vivo e veemente a sua missão de proclamar a todos o desígnio de Deus sobre o matrimónio e sobre a família ».

Nestes últimos anos, a Igreja, através da palavra do Santo Padre e mediante uma vasta mobilização espiritual dos pastores e leigos, multiplicou a sua solicitude para ajudar todo o povo crente a encarar com gratidão e plenitude de fé os dons que Deus concede ao homem e à mulher unidos no sacramento do matrimônio, para que possam realizar um caminho autêntico de santidade e oferecer um verdadeiro testemunho evangélico nas situações concretas em que vivam.

Os sacramentos da Eucaristia e da Penitência têm uma função fundamental no caminho para a santidade conjugal e familiar. O primeiro reforça a união com Cristo, fonte de graça e de vida, e o segundo reconstrói, caso tenha sido destruída, ou engrandece e aperfeiçoa a comunhão conjugal e familiar, ameaçada e rompida pelo pecado.
Para ajudar os cônjuges a conhecer o percurso da sua santidade e realizar a sua missão, é fundamental a formação da sua consciência e a realização da vontade de Deus no âmbito específico da vida esponsal, e isto na sua vida de comunhão conjugal e de serviço à vida. A luz do Evangelho e a graça do sacramento representam o binómio indispensável para a elevação e a plenitude do amor conjugal que tem a sua fonte em Deus Criador. De fato, « o Senhor dignou-se sanar, aperfeiçoar e elevar este amor com um dom especial de graça e caridade ».

Em relação ao acolhimento destas exigências do amor autêntico e do plano de Deus na vida cotidiana, o momento em que os cônjuges pedem e recebem o sacramento da Reconciliação representa um evento salvífico da máxima importância, uma ocasião de aprofundamento iluminante da fé e uma ajuda precisa para realizar o plano de Deus na própria vida.

« O sacramento da Penitência ou Reconciliação aplana o caminho para cada um dos homens, mesmo quando sobrecarregados com graves culpas. Neste Sacramento, todos os homens podem experimentar de modo singular a misericórdia, isto é, aquele amor que é mais forte do que o pecado ».
Uma vez que a administração do sacramento de Reconciliação está confiada ao ministério dos sacerdotes, o presente documento é destinado, especificamente, aos confessores e tem o objectivo de oferecer algumas disposições práticas para a confissão e a absolvição dos fiéis em matéria de castidade conjugal. Mais concretamente, com este vademecum ad praxim confessariorum pretende-se também oferecer un ponto de referência para os penitentes casados a fim de que, da prática do sacramento de Reconciliação, possam tirar sempre grande proveito e viver a sua vocação à paternidade e maternidade responsável em harmonia com a lei divina ensinada autorizadamente pela Igreja. Servirá também para ajudar aqueles que se preparam para o matrimônio.

O problema da procriação responsável representa um ponto particularmente delicado no ensinamento da moral católica no âmbito conjugal, mas ainda mais, no âmbito da administração do sacramento de Reconciliação, no qual a doutrina se confronta com as situações concretas e com o caminho espiritual de cada um dos fiéis. De fato, é necessário voltar a ter presente pontos firmes que permitam afrontar de modo pastoralmente adequado as novas modalidades de contracepção e o agravar-se de todo este fenômeno. Com o presente documento não se pretende repetir todo o ensinamento da Encíclica Humanae Vitae, da Exortação Apostólica Familiaris Consortio e de outras intervenções do Magistério ordinário do Sumo Pontífice, mas somente oferecer sugestões e orientações para o bem espiritual dos fiéis que se abeiram do sacramento de Reconciliação e para superar as eventuais divergências e incertezas na praxe dos confessores.

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20 maio 2011

Via Lucis


 
153. Um exercício piedoso chamado Via Lucis desenvolveu e se espalhou por muitas regiões nos últimos anos. Seguindo o modelo da Via Crucis, os fiéis processam enquanto meditam sobre as diversas aparições de Jesus - à partir de Sua Ressurreição até à Ascensão - no qual  Ele mostrou a sua glória aos discípulos que aguardavam a vinda do Espírito Santo (cf. Jo 14, 26, 16, 13-15; Lc 24, 49), reforçando a sua fé, levou à termo Seus ensinamentos sobre o Reino e mais estreitamente definindo a estrutura sacramental e hierárquica da Igreja.
Através da Via Lucis, os fiéis recordam o acontecimento central da fé - a ressurreição de Cristo - e seu discipulado em virtude do Batismo, o sacramento pascal, pela qual eles passaram das trevas do pecado para o esplendor luminoso da luz da graça (cf. Col 1, 13; Ef 5, 8).

Durante séculos, a Via Crucis envolve os fiéis, no primeiro momento do evento da Páscoa, ou seja, a Paixão, e tem ajudado à fixar os aspectos mais importantes na sua consciência. Analogamente, a Via Lucis, quando é celebrada na fidelidade do texto do Evangelho, podem efetivamente transmitir uma compreensão vivífica para os fiéis do segundo momento do evento Pascal, ou seja, a ressurreição do Senhor.

A Via Lucis é potencialmente uma pedagogia execelente da fé, uma vez que "por ad Lucem crucem". Usando a metáfora de uma viagem, os movimentos da Via Lucis passa da experiência do sofrimento, que no plano de Deus é parte da vida, a esperança de chegar ao verdadeiro fim do homem: libertação, alegria e paz que são valores característicos da Páscoa.
A Via Lucis é um estímulo potencial para a restauração de uma "cultura da vida " que está aberto à esperança e certeza oferecida pela fé, numa sociedade muitas vezes caracterizada por uma "cultura da morte", desespero e o niilismo.
 
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20 abril 2011

Paschal Triduum


140. Todos os anos, a Igreja celebra o grande mistério da redenção da humanidade no "mais sagrado Tríduo Pascal da crucificação, sepultamento e ressurreição" (143). O Tríduo Sagrado se estende desde a Missa da Ceia do Senhor às Vésperas do Domingo de Páscoa e celebra-se "em comunhão íntima com Cristo, seu Esposo" (144).

Quinta-feira Santa
Visitando o Altar de Repouso
141. A piedade popular é particularmente sensível à adoração do Santíssimo Sacramento, na sequência da Missa da Ceia do Senhor (145). Devido a um longo processo histórico, cujas origens não são totalmente claras, o local de repouso tem sido tradicionalmente referido como "um santo sepulcro". Os fiéis vão até lá para venerar Jesus, que foi colocado em um sepulcro seguindo a crucificação e no qual ele permaneceu por cerca de quarenta horas.

É preciso instruir os fiéis sobre o sentido da reposição: é a conservação solene e austera do Corpo de Cristo para a comunidade de fiéis que toma parte na liturgia da Sexta-Feira Santa e para o viático do enfermo (146) . É um convite à adoração silenciosa e prolongada do admirável sacramento instituído por Jesus neste dia.

Em referência ao altar de repouso, portanto, o termo "sepulcro" deve ser evitado e sua decoração não deve ter nenhuma sugestão de um túmulo. O tabernáculo sobre este altar não deve ser na forma de um túmulo ou urna funerária. O Santíssimo Sacramento deve ser conservado num tabernáculo fechado e não deve ser exposto em um ostensório (147).

Depois da meia-noite da Quinta-Feira Santa, a adoração deve concluir sem solenidade, já que o dia da Paixão do Senhor já começou (148).

Sexta-feira Santa
Procissão Sexta-feira Santa
142. A Igreja celebra a morte redentora de Cristo na Sexta-Feira Santa. A Igreja medita na Paixão do Senhor na ação litúrgica na tarde da Sexta-feira, na qual ela reza pela salvação, adora a Cruz e comemora a sua própria origem, na ferida sagrada no lado de Cristo (cf. Jo 19, 34) (149) .

Além das várias formas de piedade popular na Sexta-feira, como a Via Crucis, a Procissão da Paixão é sem dúvida a mais importante. Este corresponde à um  pequeno cortejo de amigos e discípulos que, depois de ter tirado o corpo de Jesus da Cruz, levou-o para o lugar onde "havia um túmulo escavado na rocha, onde ninguém tinha ainda sido sepultado "(Lc 23, 53).

A procissão do "Cristo morto" é geralmente realizada em austero silêncio, em oração e com a participação de muitos fiéis, que sabem muito sobre o significado do enterro do Senhor.

143. É necessário, no entanto, para garantir que tais manifestações de piedade popular, seja pelo tempo ou pela maneira pela qual os fiéis são convocados, não se tornem um substituto à celebração litúrgica da Sexta-Feira.

No planejamento pastoral da Sexta-feira santa, uma atenção primária e com máxima importância deve ser dado à ação solene litúrgica e os fiéis devem ser levados a compreender que nenhum outro exercício pode objectivamente substituir esta celebração litúrgica.

Finalmente, a integração da procissão do "Cristo Morto" com a ação litúrgica solene da Sexta-feira santa deve ser evitado pois tal integração constituiria em uma mista celebração distorcida.

Representação da Paixão
144. Em muitos países, a execução da Paixão acontece durante a Semana Santa, especialmente na Sexta-Feira Santa. Estes são muitas vezes "representações sagradas", que pode ser justo considerado como exercícios piedosos. Na verdade, tais representações sagradas têm a sua origem na Sagrada Liturgia. Algumas destas execuções começaram nos coro dos monges ...e foram tomadas por uma dramatização progressiva que os levaram para fora da igreja.

Em alguns lugares, a responsabilidade pela representação da Paixão do Senhor foi entregue as Confrarias, cujos membros têm assumido responsabilidades específicas de viver a vida cristã. Em tais representações, atores e expectadores são envolvidos em um movimento de fé e de piedade genuína. É particularmente importante assegurar que as representações da Paixão do Senhor não se afastem desta linha pura de piedade sincera e gratuita e assumam características das produções populares que não são manifestações de piedade e sim de atrações turísticas.

Em relação às sagradas "representações" é importante instruir os fiéis sobre a diferença entre uma "representação" que é comemorativa e as ações litúrgicas que são reminiscência ou a presença misteriosa do evento redentor da Paixão.

Práticas penitenciais levando a auto-crucificação com pregos não devem ser encorajadas.


Nossa Senhora das Dores
145. Devido à sua importância doutrinal e pastoral é recomendado que "o memorial de Nossa Senhora das Dores" (150) deva ser recordado. A religiosidade popular, na sequência da narração evangélica, salienta a associação de Maria com a paixão salvadora do seu Filho (cf. João 19, 25-27; Lc 2, 34f) e tem dado origem a muitos exercícios piedosos incluindo:

- o Mariae Planctus: uma expressão de dor intensa, geralmente acompanhada de obras literárias e musicais de grande qualidade em que Nossa Senhora chora, não só pela morte de seu Filho, o Inocente, Santo, e o Bom mas também pelo os erros de seu povo e os pecados da humanidade;

- o Ora Della Desolata: em que os fiéis devotos mantêm a vigília com a Mãe de Nosso Senhor no seu abandono e tristeza profunda após a morte do seu único Filho e que os mesmos contemplam a Nossa Senhora recebendo o corpo de Cristo (Pietà) percebendo que a tristeza do mundo pela morte do Senhor encontra a sua expressão em Maria. Nela os fiéis vêem a personificação de todas as mães ao longo dos tempos que tem sofrido com a perda de um filho. Este exercício piedoso que em algumas partes da América Latina é chamado El Pésame não se deve limitar apenas à expressão de emoção antes de uma mãe sofredora. Pelo contrário, com a fé na ressurreição, deve ajudar a compreender a grandeza do amor redentor de Cristo e da participação de Sua mãe no mesmo.

Sábado Santo
146. "No Sábado Santo a Igreja faz uma pausa no túmulo do Senhor meditando na sua paixão e morte, sua descida ao inferno e com oração e jejum aguarda sua ressurreição" (151).

A piedade popular não deve ser impermeável ao caráter peculiar do Sábado Santo. Os costumes festivos e práticas relacionadas com este dia em que a celebração da ressurreição do Senhor já foi antecipado deve ser reservado para a vigília e para o Domingo de Páscoa.

O "Ora della Madre"
147. Segundo a tradição, todo o corpo da Igreja é representada em Maria: ela é a "Universa Collectio credentium" (152). Assim, a Bem-Aventurada Virgem Maria, como ela espera perto do túmulo do Senhor, como é representado na tradição cristã, é um ícone da Igreja Virgem de vigília junto ao túmulo de seu esposo, enquanto se aguarda a celebração da sua ressurreição.

O exercício piedoso da di Ora Maria é inspirada por esta intuição da relação entre a Virgem Maria e da Igreja: enquanto o corpo de seu Filho, estabelece no túmulo e sua alma desceu aos mortos para anunciar a liberação da sombra da escuridão de seus antepassados, a Bem-Aventurada Virgem Maria, antecipação e representando a Igreja, aguarda, na fé, o triunfo vitorioso do seu Filho sobre a morte.

Fonte: Diretório sobre piedade popular - Vaticano
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